Sem estratégia, equipes dependem de talentos individuais, improviso e tentativa e erro. Na hotelaria, resultados consistentes exigem leitura do cenário, diretrizes competitivas claras e planos de ação continuamente monitorados.

Artigo publicado originalmente em junho/2026.

Uma história hipotética

Imaginemos uma equipe de futebol recém-formada para disputar a Copa do Mundo pelo seu país. Muitos atletas novos foram convocados e apenas alguns se mantiveram na equipe, pela qual já atuaram na edição anterior da competição.

Seu treinador, conhecido apenas por alguns atletas com quem já havia trabalhado, recebe a todos de forma calorosa, gentil e estimulante. Já na reunião de integração, informa qual é o objetivo estabelecido para a competição, e, obviamente, não é nada pouco ambicioso.

Na sequência, define a formação inicial da equipe titular, destaca que ela pode mudar ao longo da competição, a depender do desempenho de cada um, e inicia uma rotina intensa de treinamentos, focada no entrosamento e no desempenho coletivo do grupo. Entretanto, curiosamente, não define um estilo de jogo para a equipe e trabalha muito pouco os aspectos táticos.

No início, todos estranham, afinal, não sabem exatamente que papel se espera deles na equipe. Mas logo esse sentimento se dissipa, e passam a apreciar aquele estilo de trabalho, à medida que se sentem à vontade para jogar da forma como bem entendem e mais gostam.

Aos trancos e barrancos, de forma empírica, a própria equipe vai desenvolvendo um estilo de jogo que, às vezes, parece funcionar bem e, em outras, nem tanto.

Passado o período preparatório, chega finalmente o primeiro desafio real: enfrentar uma equipe de destaque da qual tudo o que se sabe é que eles mantêm, praticamente, a mesma formação da competição anterior.

Para agravar as incertezas, a equipe técnica realizou um trabalho prévio de estudo e análise muito superficial do adversário. Não houve sequer uma apresentação de vídeos de seus jogos. Em vez disso, o treinador limitou-se a trabalhar a motivação da equipe, valorizando o progresso alcançado ao longo da pré-temporada.

Mas, como se costuma dizer: “Treino é treino, e jogo é jogo!”

Diante desse cenário, sem um estilo de jogo pensado e previamente definido, e com essa postura de pouco interesse em conhecer os adversários, quais você acredita que seriam as chances de sucesso dessa equipe na competição?

Analogia

Essa história ilustra muito bem como atua a maior parte das equipes que operam hotéis pelo mundo: equipes cujos resultados dependem, de forma exclusiva ou predominante, da qualidade individual de seus membros e da eventual capacidade que têm de se articular coletivamente na base do erro e acerto, enfrentando com uma visão de curtíssimo prazo os desafios cotidianos que surgem em sua trajetória.

No ambiente cada vez mais competitivo da hotelaria, essa postura é, no mínimo, irresponsável. Hoje, é mandatório dedicar tempo e esforço concentrados na busca antecipada do melhor entendimento do cenário e dos desafios que serão enfrentados na condução de qualquer empreendimento hoteleiro, de forma a garantir o maior nível possível de consecução dos objetivos previamente estabelecidos.

É preciso coletar, organizar, analisar e decidir com base nas informações mais relevantes para o negócio, de modo a desenvolver uma linha de atuação inteligente a ser adotada ao longo da trajetória.

Estratégia competitiva

Esse é exatamente o contexto e o objetivo de uma reflexão estratégica, iniciativa fundamental a ser desenvolvida com a equipe de liderança de qualquer hotel. Desse trabalho se materializa a estratégia do empreendimento, na qual ficam formalizadas as diretrizes que nortearão sua gestão. A estratégia é a base e a referência para a elaboração e o monitoramento dos planos de ação, de caráter essencialmente operacional, que garantirão sua transformação em realidade.

Tanto a estratégia quanto os planos de ação devem passar por reanálises e atualizações periódicas, de forma a garantir sua adequação e viabilidade.